Depois de tanto tempo sem postar, hoje me aconteceu uma pequena aventura que resolvi registrar. Tô quase um ano olhando para minha bicicleta, encostada no quartinho que usamos como depósito, pensando em encher os pneus e dar uma volta. Hoje o tempo amanheceu nublado, conspirando a favor dela. Mas até a hora do almoço não tava muito afim de sair. Mas a vontade de passear foi me ganhando.
Outro dia, olhando o Google Earth, me veio a dúvida do que teria acontecido com a Praia do Sudoeste aqui de Cabo Frio, onde na minha adolescência, a minha família mais gostava de passar os domingos. Depois da construção da pista do Aeroporto Internacional de Cabo Frio o acesso à praia isolada mudou, e ninguém que eu conheça sabe se ainda dava pra chegar lá.
Esse foi mais um motivo que me fez tirar a bike do depósito. Outro motivo foi o sedentarismo que tá me dando uma falsa barriga irritante. Pronto. Eram 14:40 e levantei do sofá. Peguei a bike, e fui empurrando até o posto de gasolina, porque o pneu dianteiro estava completamente vazio. Enchi, voltei em casa, calcei minhas sandálias para trekking (uahuahuha) e peguei a bike. Como a minha bermuda só tinha um bolso externo, resolvi não levar o celular. Afinal, a ideia era voltar antes das 17 horas.
Segui caminho pelo Recanto das Dunas até a Vila do Sol. Beirando a cerca que isola a pista do aeroporto, há um caminho de terra. Uma carcaça de um bicho morto, enforcado na cerca logo na entrada, dá as boas-vindas. Após o momento trash, continuei em frente. A estrada de terra tem em alguns trechos aquela areia de praia característica, muito fofa. Não tem como pedalar nela. Tive que descer e empurrar umas três vezes, ou mais. Enquanto descia, tirei algumas fotos dos helicópteros da Petrobrás estacionados no aeroporto.
Após esse trecho bem complicado (e não peguei um atalho, que não vi onde ía dar, e descobri depois que era caminho dos veículos maiores) cheguei à Praia do Sudoeste. Está muito diferente do que eu me lembrava, e a parte onde acessei era um lugar onde não chegava carro antes, e bem remoto.
Achei a saída de um antigo canal, e era onde nós atravessávamos para fazer churrasco. Depois de atravessar o canalzinho, passei em frente à cerca da cabeceira da pista e encontrei o caminho antigo, intacto. Menos pela cerca. Neste momento escutei o barulho de um jato particular decolando e me apressei para ir onde estavam as árvores mais altas, onde elas não haviam sido cortadas como as outras que vi antes.
Pois bem, com o caminho antigo encontrado, foi fácil sair dali. Mas não queria voltar pelo mesmo acidentado caminho que fiz hoje, e segui adiante pela nova pista de acesso ao aeroporto. Temendo perder a viagem ao tentar passar pelas cancelas da alfandega, resolvi fazer o caminho normal, afinal, estava com tempo, o Sol se pôria em duas horas.
Tirei algumas fotos da antiga elevatória na estrada que leva para Monte Alto, e aí me dei conta do perigo que é aquela estrada de Monte Alto. Fiquei com um pouco de medo, mas o dia era de encarar os medos e enfrentá-los. Vim bem cauteloso, sempre olhando para trás, naquela pista sem acostamento. Quando enfim saí da parte mais perigosa, parei para tirar mais algumas fotos daquela estrada que parecia a Rota 66 americana.
Foi quando me dei conta de que o pneu dianteiro estava completamente vazio! Como? Não senti nada de errado antes, e em menos de um minuto que eu estava parado, o ar sumiu. Pensei em fazer o caminho mais curto para casa, mas para isso, teria que passar por dentro de salinas abandonadas, empurrando a bike. Era um risco que não era necessário correr. Resolvi fazer o caminho mais longo.
A pista sem acostamento era o maior problema. Coloquei a bike no mato e fui andando pelo asfalto. Quando passei da grande curva, mudei de pista e segui pela contramão até o posto da Polícia Rodoviária Estadual, perto do pórtico de Arraial. Até o meio desse caminho, estava convicto que chegaria em casa numa boa, e até pararia para tirar mais fotos. Mas cansei bastante, já tinha andado 11,6 km antes do pneu furar, e empurrar mais 1800 metros não foi legal.
Fiquei 15 minutos ligando à cobrar do orelhão para casa, na esperança da minha irmã atender. Mas como ela iria dar aula à noite, então fiquei sem esperança, coloquei a bike nas costas e atravessei a rodovia. Empurrei uns 500 metros até me emputecer e subir na bike, e andar nela assim mesmo, com risco de cortar o pneu. Com a câmara eu não tava nem aí. A pressa tinha um motivo: nuvens negras e pesadas estavam saindo de Arraial e vindo na minha direção, mas não caía nem um pingo.
Quando a civilização voltou a aparecer, achei logo um novo orelhão. Mas na segunda tentativa de ligar para casa, e alguém atender milagrosamente, a chuva me alcançou. E veio forte, o orelhão não era uma boa proteção, então troquei para o portão de uma casa que tinha um telhado bem grande. Estava preocupado de molhar a câmera digital no meu bolso da bermuda.
A chuva hasteou um bocado, porque o vento forte levou as nuvens para Cabo Frio bem rápido. Voltei a empurrar a bike, porque pedalar estava se tornando cada vez mais pesado. Ainda parei mais uma vez num bar, exatamente na hora em que a chuva voltou. Ela parou novamente e comecei a ter a ideia de passar tudo isso para o blog.
Naquele morro no meio da estrada de Arraial, tive que empurrar a bike novamente, e na descida, me empolguei e vim embalado até a grande curva, peguei o caminho das dunas, e cheguei a rua de casa. Mas estava tão pregado que quando entrei na minha rua, voltei a empurrar até chegar em casa, lá pela 18:40...
Quarta-feira vou voltar a pedalar. Aposto que amanhã acordarei todo moído. Ou não. =D
Um comentário:
ai, amor!!! que perigo!!! vontade de te dar um beijo de ter passado td isso (e ser forte =)) e um puxão de orelha por correr risco!!
Postar um comentário